As tecnologias mais legais desenvolvidas pelo Google não estão explícitas na nossa cara

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Por Michael Nuñez, GizModo Brasil

O Google sempre usa a sua conferência anual para desenvolvedores, a I/O, como um lugar para demonstrar algumas das suas maiores e mais animadoras atualizações de produtos. Se você sentiu que esse ano foi meio que um fracasso, está perdoado. Não foram apresentados novos dispositivos, nenhum projeto moonshot maluco e nem headsets estilosos como o Google Cardboard. A apresentação foi basicamente uma palestra entediante de duas horas sobre atualizações pequenas e incrementais a produtos existentes.

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E não estamos sozinhos ao pensar assim:

 


Sou só eu ou o #GoogleIO foi menos surpreendente do que nos anos anteriores, todos desenvolvimentos incrementais, nenhum passo maior, quase que entediante

 

Google IO 2017: a apresentação mais entediante já feita!

A conferência desse ano estava bem distante do que estávamos acostumados a ver da gigante das buscas. Os eventos do Google no passado normalmente incluíam lançamento de produtos, como novos dispositivos Android, Chromebooks, Daydream VR, Google Home e outras coisas que você conseguia ver e tocar. Mas, neste ano, o Google parece ter concentrado seus esforços em refinar esses produtos com inteligência artificial, infraestrutura na nuvem e outras melhorias que ficam por trás das cortinas.

Veja, por exemplo, um dos anúncios mais interessantes do Google I/O, o Google Lens, que adiciona reconhecimento de imagens a aplicativos existentes como o Assistant e o Fotos. Ele basicamente permite que você aponte a câmera para uma flor e diga que tipo de planta é aquela. Ou você poderia apontar para um restaurante e visualizar na sua tela as opiniões das pessoas que passaram por ali. O recurso é uma ilustração de como a tecnologia de inteligência artificial que o Google está desenvolvendo atualmente não é um produto independente.

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Essa é uma verdade para a maioria dos desenvolvimentos impressionantes no Google. Eles não são tão visíveis quanto os produtos antigos eram. Um ótimo exemplo é a nova geração do Tensor Processing Unit (TPU) do Google, que são processadores feitos especificamente para o aprendizado de máquina. Os novos TPUs estrearam na apresentação desta semana e foram talvez a coisa mais inovadora que o Google anunciou – mas eles não capturaram a atenção como os antigos produtos, porque esse produto é feito para empresas e pesquisadores, não para consumidores comuns. A empresa ofereceu, inclusive, mil Cloud TPUs gratuitos para serem usados por pesquisadores do TensorFlow Research Cloud, facilitando o acesso à tecnologia de ponta em inteligência artificial.

Isso não significa que o Google está sem boas ideias. Ele continua sendo uma das empresas mais sofisticadas e valiosas do mundo. O Google certamente não esgotou as possibilidades de fazer hardware e novos softwares – estamos esperando por um novo celular Pixel maneiro com uma tela curvada no final desse ano –, mas a corrida da última década de lançamentos de produtos em categorias novas como realidade virtual e dispositivos vestíveis está começando a desacelerar. Agora, a companhia está completamente focada em tornar os seus produtos melhores, depois de correr para diversos novos mercados.

Pegue algo como o TensorFlow, um dos produtos mais importantes que o Google lançou nos últimos anos e do qual a maioria das pessoas não sabe nada a respeito. O TensorFlow é uma biblioteca de software de código aberto para machine learning (aprendizado de máquina) que o Google utiliza para pesquisa e em seus próprios produtos. Basicamente, ele torna mais fácil para que desenvolvedores programem sistemas de inteligência artificial.

A importância do TensorFlow foi consolidada em outubro de 2015, quando o Google anunciou que estava utilizando o sistema para alimentar o RankBrain, um sistema de inteligência artificial feito para seu produto de buscas principal. O RankBrain conseguiu vencer especialistas humanos na identificação de páginas mais relevantes para resultados de busca, de acordo com uma reportagem da Bloomberg. Mesmo que esse avanço tenha sido momentâneo, ele não foi tão celebrado quanto os lançamentos vistosos de produtos como Google Home ou Daydream VR no ano seguinte.

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É difícil para o Google fazer com que os consumidores fiquem animados com anúncios como esses. Não há nada que se possa pegar na mão e mostrar para uma plateia, e explicar como redes neurais trabalham em termos leigos é muito difícil. Essa é a tecnologia mais avançada sendo criada por algumas das mentes mais inteligentes da América. A única maneira de realmente animar os consumidores é mostrar para eles os resultados de ter uma inteligência artificial se emaranhando entre seus dados pessoais.

A apresentação dessa semana do Google I/O simplesmente reiterou que é difícil fazer as pessoas se entusiasmarem com atualizações de infra na nuvem e na inteligência artificial. O CEO do Google, Sundar Pichai, basicamente admitiu isso no começo de sua apresentação quando ficou parado na frente de uma tela enorme que dizia mobile first to AI first (ou “da prioridade do mobile para a prioridade da IA”). Ele deu o tom para grandes apresentações no final de sua fala, com o Google Lens e as atualizações maiores para o Google Home. Ambos foram coisas importantes – e simplesmente pelo fato de você não poder enxergá-los, não significa que eles não são impressionantes.

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