José Roberto de Toledo e o fôlego de Lula

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Por Fernando Brito, Tijolaço

No Estadão, o texto claro do melhor analista de pesquisas da imprensa brasileira, José Roberto de Toledo, mostra que Lula é e será o centro da eleição, mesmo que se consume a violência de excluírem-no de uma candidatura. Há, porém, um questão faltante: o antiLula é a favor do quê?

Da bala, com Bolsonaro, ou de Temer, como Alckmin se está deixando ficar?

A gravidade de Lula

Jose Roberto de Toledo, no Estadão

Todas essas pesquisas mostram que um terço ou mais do eleitorado brasileiro permanece lulista – a despeito de condenações e acusações que pesam sobre o ex-presidente. Nenhum outro ator político exerce a metade de sua atração. Por isso, acerta o Datafolha ao dividir o eleitorado em três, todos com a mesma referência: próLula (38%), antiLula (31%) e pendulares (31%).

Goste-se ou odeie-se, é em torno de Lula que orbita a atual corrida presidencial. Nisso, ela pouco difere das quatro ou seis últimas disputas eleitorais pela Presidência da República. Lula ainda é o candidato a ser batido (1994, 1998, 2002, 2006), o cabo eleitoral a ser usado ou neutralizado (2010 e 2014).

As questões colocadas neste fim de 2017 nada têm de ímpar, salvo no calendário. Ecoam as mesmas perguntas ouvidas nos anos imediatamente anteriores aos pleitos presidenciais das últimas décadas: Lula vai conseguir sustentar sua força eleitoral quando a campanha começar para valer? Ou: Lula é capaz de transferir seu prestígio para quem ele vier a apoiar? Se o crescimento da economia acelerar, quanto poder ele perderá na urna?

Agora, como no passado, especulações em torno de tais dúvidas são incursões a remo em um mar de incertezas. Mar cada vez mais agitado. O desencanto com a política e a insegurança jurídica disseminados a partir de junho de 2013 avolumaram os vagalhões e acresceram riscos aos que navegam à procura de respostas. Qual será o tamanho da abstenção? Haverá mais votos brancos e nulos?

São fatores que tendem a ganhar peso quanto mais apertada for a disputa por uma vaga no 2º turno. O engajamento do eleitor será mais importante do que nunca. O mesmo tipo de disposição para votar que fez a diferença a favor de Trump em 2016 provocou a derrota de seu candidato ao Senado no Alabama um ano depois.

Tão importante quanto o desejo de eleger quem se admira é a gana de impedir a vitória de quem se odeia. Segundo o Datafolha, Bolsonaro lidera com folga no terço antiLula do eleitorado. O Facebook confirma: a maioria das publicações que viralizam nas redes de movimentos como MCC e Avança Brasil são contra o petista. Ambos apoiam o militar reformado porque é o candidato a presidente que mais bem personifica esse papel. Tomou-o do PSDB.

Eis o desafio de Alckmin. Ser do contra já não lhe garante passagem ao 2º turno. Como outros que tentam ocupar o vácuo no centro do espectro político, o tucano precisará ser a favor de algo forte o suficiente para atrair o terço restante, o dos eleitores pendulares, volúveis. São os que decidem a eleição, ao gravitarem rumo ou contra Lula – seja ele candidato ou não.

 

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