O clipe de Karon Conka sobre sexo oral na mulher é lindo de se ver

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A geração tombamento é ótima para criar termos (tanto que se auto intitulou), mas ainda não existe, que eu saiba, uma locução adjetiva ou nada do tipo para designar o grupo de cantoras que vêm inserindo pautas feministas em suas músicas e sobretudo em seus discursos – Elza Soares, MC Carol, Karol Conka, Marcia Castro, Karina Buhr, Ava Rocha, Clarice Falcão etc – e que, a despeito disso, não só existem como vêm se fortalecendo e criando novos arranjos para a quebra de tabus nas artes, especialmente na música.

Karol Conka, por exemplo, lançou recentemente o clipe “Lalá”, incentivando o sexo oral feminino na letra, nos gestos e na postura.

Lindo de ver. Lindo, sobretudo, porque no Brasil – no mundo? –  ninguém pode falar em boceta. Boceta é sempre ofensivo. A Folha de S.Paulo, aliás, censurou uma “boceta” outro dia no título de uma coluna do “Agora é que são elas.” Trocaram por vagina (risos).

“Grelo duro” é machista, mas “picudo” não (ah, tá). Fazer o símbolo da boceta com as mãos – como fez Caetano e agora Karol Conka – é, no mínimo, uma afronta simbólica à opressão do nosso direito ao gozo.

A ousadia, entretanto, não é tudo o que a música em questão apresenta (embora, é verdade, a ousadia já fosse suficiente): a letra, a batida e o fluxo das rimas confirmam Karol Conka como expoente do rap brasileiro, apesar de suas inclinações insistentes para o pop (Karol, o rap te venera!).

Enquanto discurso, essa afronta simbólica, aliás – como fez, inclusive, Clarice Falcão ao mostrar órgãos genitais de seres humanos com adereços fofos em um clipe – está alinhada a uma corrente específica do feminismo: os direitos sexuais e sobre o corpo são, historicamente, uma pauta do feminismo liberal – e isso não é necessariamente ruim.

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Como fez, inclusive, Clarice Falcão ao mostrar órgãos genitais de seres humanos com adereços fofos em um clipe – está alinhada a uma corrente específica do feminismo: os direitos sexuais e sobre o corpo são, historicamente, uma pauta do feminismo liberal – e isso não é necessariamente ruim.

Com os devidos recortes – e devidamente reformulado de acordo ao contexto das mulheres do século XXI – o legado do feminismo liberal nos é útil e não podemos (ou não devemos) negar-lhe gratidão.

Karol Conka – assim como as outras artistas citadas aqui, e as outras tantas não citadas por aí – é reflexo da mercantilização do movimento feminista, já bulinado pela indústria fonográfica, mas definitivamente não é só isso: é resistência e levante pela liberdade sexual feminina, que continua sendo uma pauta importante, quer queira o feminismo radical, quer não.

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