O futuro da Terra. Como será nosso planeta no século 23

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Um estudo projeta a situação do planeta no século 23 em termos climatológicos. Ela não é cor de rosa. Está mais para os vermelhos do CO2 e dos outros gases de efeito estufa

por Equipe Oásis – Brasil 247

Em 2016, as temperaturas globais foram 0,99 graus C mais quentes do que a média do século vinte. Isto faz de 2016 o terceiro ano de recordes seguidos para as temperaturas mais elevadas.

Comparem esses dados:

420 milhões de anos atrás o índice de CO2 (gás carbônico) na atmosfera era de 2.000 ppm;

420 milhões de anos atrás o Sol era um pouco mais quente que nos dias de hoje;

Hoje, o CO2 é de 418 partes por milhão, e está em contínuo aumento;

Hoje, o Sol esquenta mais que antes;

Hoje, a Terra é 1 grau C mais quente que há um século atrás, e esse índice está em aumento.

Mapa-mundi climatológico projetado para o século 23: aos vermelhos e amarelos correspondem as zonas mais quentes.

Como será a vida sobre a Terra dentro de dois séculos?

O estado da atmosfera terrestre e da temperatura do planeta são governados por dois grandes fatores: a energia proveniente do Sol e o percentual de anidrido carbônica e de outros gases na composição da atmosfera.  O primeiro foi lentamente aumentando ao longo da história da terra, e o percentual dos gases, diferentemente, aumentou e diminuiu várias vezes no tempo, segundo os acontecimentos geológicos e biológicos ocorridos no planeta.

Uma variabilidade “natural”, a da concentração dos gases de efeito estufa, que vigorou pelo menos até há algumas décadas, foi repentinamente substituída por uma outra variabilidade, a artificial, promovida pelas atividades humanas após a Revolução Industrial (ao redor do início do século 19) e a queima de combustíveis fósseis. Tudo isso levou a um rápido aumento da concentração de gás carbônico na atmosfera, fazendo subir a temperatura média do planeta de um modo que não acontecia há muitos séculos, talvez milênios. Que acontecerá no futuro não assim tão distante, no século 23?

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No século 23, imensas áreas de savanas e de florestas tropicais terão se transformado em zonas desérticas.

Equilíbrio térmico

Com relação ao equilíbrio térmico, um artigo assinado por três pesquisadores (dois ingleses e um norte-americano), publicado na revista Nature communications (artigo completo, em inglês), busca traçar uma comparação entre o passado distante e o futuro da Terra no caso de as emissões de CO2 por atividades humanas não sejam controladas e reduzidas, e os acordos sobre o clima, como os de Paris, não sejam respeitados – como ameaçam fazer os atuais presidentes dos Estados Unidos e da Rússia, Donald Trump e Vladimir Putin.

Os três climatologistas partem de muito longe, afirmando que a temperatura histórica média do planeta (de cerca 14 graus C) foi – até algumas décadas atrás – de cerca 31 graus C maior daquela que seria se, para se aquecer, pudesse contar apenas com o Sol.  Na ausência de atmosfera ( ou seja, de gases de efeito serra, particularmente o CO2, que “aprisionam” o calor refletido pelo planeta), a temperatura deste nosso planeta rochoso seria de 17 graus C negativos. Significa que a vida na Terra só pode se afirmar graças a um efeito serra natural.

Embora tenham ocorrido oscilações bastante amplas, a temperatura se manteve ideal para as espécies existentes, apesar de dois fenômenos contrapostos:

Primeiro: O Sol, nos últimos 420 milhões de anos, aumentou progressivamente a potência da sua radiação sobre o planeta de cerca 9 watt por metro quadrado, até chegar aos atuais 1.361 watt por metro quadrado (em média);

Segundo:  o anidrido carbônico na atmosfera diminuiu, devido a fenômenos geológicos e biológicos.

Os ursos polares são uma das espécies que poderão desaparecer com o derretimento da banquisa ártica.

Passado distante  

A análise dos climatologistas levou em consideração milhares de estimativas do CO2 na atmosfera, que descrevem 420 milhões de anos de história do planeta. Os resultados indicam que no início do período Devoniano, quando o Sol era relativamente mais “fraco” do que hoje, a concentração de anidrido carbônico era elevadíssima: cerca 2.000 partes por milhão. A diminuição de CO2 foi causada pela erosão dos silicatos e dos movimentos tectônicos. O primeiro processo retira anidrido carbônico da atmosfera através de complicadas reações químicas que fazem diminuir a sua concentração. O segundo é menos direto: quando ocorrem fenômenos de subducção  (uma placa tectônica desliza sob a outra) o carbono orgânico depositado nos fundais submarinos vai parar nas profundezas da Terra, sendo retirado do seu ciclo natural que o teria levado de volta à atmosfera na forma de CO2.

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Panorama de Singapura ao fundo, e em primeiro plano a terra ressecada onde hoje é uma floresta tropical.

Um futuro tórrido

Na sua conclusão, o artigo examina o futuro, ou seja, a situação do planeta dentro de dois séculos, se o homem continuar emitindo na atmosfera as mesmas quantidades de anidrido carbônico que deriva hoje das atividades industriais e agrícolas. Sendo certo que o Sol aumentará ainda mais a sua radiação, os autores calculam que já no final deste século 21 a temperatura da Terra será similar à que existiu no período Eoceno (que vai de 56 a 34 milhões de anos atrás): naquele tempo, as florestas temperadas chegavam quase aos polos, e a temperatura média terrestre era de cerca 8 graus C superior à atual.

No ano 2250, o anidrido carbônico atmosférico voltará a níveis similares aos de 420 milhões de anos atrás, ou seja cerca de 2.000 partes por milhão. Unida a uma maior atividade solar, a temperatura terrestre poderá atingir níveis incompatíveis com a vida como a conhecemos hoje.

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