Quem está pagando o silêncio de Cunha?

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por Alex Solnik, Brasil 247

Temer é um recordista.

Em apenas um ano de mandato que lhe foi ofertado por Eduardo Cunha e seus deputados amestrados, cinco pessoas de sua intimidade já foram em cana por suspeita de envolvimento em corrupção e crimes correlatos: o próprio Cunha, os assessores da copa e cozinha Tadeu Filipelli e Rocha Loures e os ministros Henrique Eduardo Alves e Geddel Vieira Lima.

Cinco em cana, não falo em demissões.

Um deles flagrado carregando mala milionária.

Houve algum mandatário máximo nessa situação desde o descobrimento do Brasil?

Mas não é só.

O sexto amigo próximo, José Yunes, pediu demissão quando Marcelo Odebrecht contou que ele guardou dinheiro sujo em seu escritório.

Do sétimo, Eliseu Padilha, Yunes disse ter sido “mula”.

Para blindar o oitavo, Moreira Franco, Temer criou, a seu pedido, um ministério “on demand” porque comprar briga com ele seria também brigar com seu genro, Rodrigo Maia, o Botafogo da Odebrecht e presidente da Câmara dos Deputados,  que mata no peito todos os pedidos de impeachment do chefe do seu sogro.

O nono, Osmar Serraglio apareceu nas investigações da Operação Carne Fraca chamando o líder dos fiscais corruptos do Ministério da Agricultura de “chefe”.

Nenhum deles, no entanto, recebeu sequer a menor admoestação de Temer, ao contrário de Joesley, que durante anos abasteceu o caixa do PMDB com os milionários repasses da JBS em troca de facilidades nos órgãos do governo, e foi chamado de bandido.

Os outros não mereceram qualquer ressalva, ao contrário: Cunha foi chamado por Temer de “batalhador”; Rocha Loures, “pessoa de boa índole”; o caso que provocou a demissão de Geddel, em que ele pressionou o ministro da Cultura para liberar alvará de um edifício irregular em que tinha um apartamento, “uma bobagem”; sobre o fato de seu assessor direto e amigo Yunes assumir ter sido “mula” de Padilha, nenhum comentário, apenas o silêncio e aquele sorriso que lembra, cada vez mais, “o amigo da onça”, personagem do genial chargista Péricles publicado nos anos de ouro d’”O Cruzeiro“.

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No entanto, por mais que ministros ou ex-ministros ou amigos enrolados sejam enjaulados, nenhum deles será tão perigoso quanto o homem-bomba.

A pergunta de 1 milhão de dólares é: depois que Joesley passou para o outro lado e tratou de salvar a própria pele, quem está pagando o silêncio de Cunha?

 

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