Rico que gritava “vai para Cuba” foi para Portugal – coxinha trouxa ficou no Brasil

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por Sérgio Saraiva, GGN

Duas notícias, neste mês de abril, complementares com uma distância de três semanas, mostram como pensam as classes dominantes neste país: “farinha pouca, meu pirão primeiro”.

No início de abril, a BBC-Brasil, repercutindo a The Economist, trazia uma notícia que ia contra a corrente do que se prega no Brasil para sairmos da crise.

”Portugal está superando a crise econômica sem recorrer a fórmulas de austeridade, diz Economist”.

“Segundo reportagem desta semana da revista britânica The Economist, Portugal conseguiu reduzir seu deficit orçamentário à metade em 2016, chegando a 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Trata-se do melhor resultado registrado desde a transição para a democracia, em 1974.

O governo português do primeiro-ministro António Costa, do Partido Socialista, no poder desde novembro de 2015, conseguiu reduzir o deficit fiscal ao mesmo tempo em que aumentou os salários e aposentadorias.

Sob o comando de Costa, o país também atingiu pela primeira vez a meta estabelecida para as nações da chamada zona do euro e conseguiu reestabelecer salários, aposentadorias e horas trabalhadas aos níveis anteriores à crise econômica de 2008. Além disso, a economia portuguesa cresce há três anos seguidos”.

Você pode concordar ou discordar de Lula e de Lorde Keynes. Mas a notícia é essa.

Agora, em 23 de abril de 2017, a Folha de São Paulo traz uma matéria que mostra como reagiram as classes dominantes brasileiras em relação a isso.

”Desencanto e crise impulsionam êxodo de brasileiros abastados para Lisboa”.

Para ter direito ao visto especial, o “golden visa” (Autorização de Residência para Atividade de Investimento), é preciso investir € 1 milhão (R$ 3,4 milhões) ou adquirir imóvel que custe pelo menos € 350 mil (em áreas de reabilitação urbana) ou € 500 mil nas demais zonas. Após cinco anos de residência, o beneficiário pode solicitar cidadania portuguesa”.

Não é para qualquer um.

Mas veja só quem já está por lá, o dono da Empiricus, um nome bastante conhecido dos coxinhas que vestiram camisa amarela e bateram panelas.

“Recomendamos fortemente o investimento em imóveis em Portugal. Você paga barato, está na Europa, forma um patrimônio em euros e o retorno varia de 5% até 15%”, avalia Renato Breia, sócio da Empiricus, consultoria financeira que abriu filial em Lisboa”.

“O economista de 32 anos se mudou há um ano e meio para lá e seguiu o conselho dado aos clientes, ao comprar por € 270 mil um apartamento de 90 m²”.

Perto de um milhão de reais por um apartamento de 90m². Mas vale a pena.

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“O jovem e as duas famílias fazem parte de uma leva de brasileiros de classe média alta e ricos que, nos últimos três anos, encontraram além-mar um Eldorado para fugir da insegurança, do desencanto com a política e da crise econômica no Brasil”.

Para saber o que leva os brasileiros ricos para Portugal, deve se ouvir a cônsul-geral-adjunta do Brasil em Lisboa:

“Aqui, desfrutam do seu nível de vida, as crianças andam sozinhas em segurança, contam com boas escolas internacionais, além de saúde e educação públicas de qualidade.”

Saúde e educação públicas de qualidade. Parece escárnio, quando lembrarmos das críticas que esse pessoal fez aos governos Lula e Dilma e o que apontam como erros – os gastos sociais.

Errado, não parece escárnio – é escarnio. Vejamos o que diz uma dessas pessoas, dono de uma produtora de vídeo que passa 40 dias em Portugal e 20 em Brasília, onde fica a sede da produtora: “ganho dinheiro no Brasil e vivo em Portugal”.

Esse é o melhor dos dois mundos para a plutocracia brasileira, ganhar dinheiro em país comandado pelo PSDB e morar em um país que governa como o PT.

Um recado para quem ainda acredita na Lava Jato como solução do país?

“A mulher mais rica de Portugal é uma brasileira, Regina Camargo, 66, herdeira da Camargo Corrêa. Com fortuna estimada em US$ 1,9 bilhão, ela e o marido, Carlos Pires, dono da rede Raia-Drogasil, escolheram viver em um prédio restaurado no Chiado, zona mais nobre do centro histórico de Lisboa”.

Camargo Correiapara quem ainda não ligou o nome à pessoa.

Não estão sós: “expoentes das novas gerações, como Ana Maria Diniz, filha mais velha de Abilio Diniz (atual BRF e ex-Pão de Açúcar), e o marido, Luiz Felipe D’Ávila, estão reformando um imóvel também no Chiado, onde o metro quadrado pode chegar a € 10 mil”.

Comentou-se muito por aqui quando Joaquim Barbosa usou suas economias para comprar um apartamento em Miami com alguma controvérsia quanto ao registro de imóveis e aos impostos decorrentes, mas o padrão português atual não é nem mesmo para ministro do Supremo. Um ministro do STF ganha algo perto de R$ 40 mil. É um bom salário, mas não o suficiente para bancar uma ponte aérea Brasília-Lisboa, algo em torno de R$ 13 mil. Porém:

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“Gilmar Mendes, ministro do STF, optou por Príncipe Real, outra zona nobre, onde comprou apartamento no ano passado. Com voo direto de Brasília para Lisboa, costuma passar feriados e planeja usufruir ainda mais do imóvel quando se aposentar”.

Obviamente, o cidadão brasileiro Gilmar Mendes tem outras fontes de renda além do salário de ministro do STF. Trata-se de um empresário de sucesso na área da educação.

Mas, e você coxinha de classe média baixa, que ficou sabendo que não vai poder se aposentar e que será terceirizado, perderá o convênio médico bancado pela empresa e passará a emitir nota fiscal para o patrão no lugar de receber holerith, ainda tem raiva do Lula?

Viu no que dá cair do conto do pato amarelo e ir fazer acampamento em frente da FIESP achando que poderia chamar patrão de companheiro de lutas? Você perdeu o lugar e teu patrão foi para Portugal.

Lembra-se de quando você invadia Miami para fazer compras achando que estava no primeiro mundo? Bons tempos. Não tem jeito, coxinha, reconheça, você foi feito de trouxa. Encha seu peito de ar e grite conosco: Fora, Temer – Volta, querida.

Ou, ao seu estilo: “vai tomar no cu”.

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