Uma Débora vale mais que mil Marílias

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por Fernando Brito, Tijolaço

Dizem-me que devo tomar cuidado ao comentar mais uma monstruosidade da senhora Marília Castro Neves, desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desta vez debochando de uma mulher que, portadora da Síndrome de Down, trabalha como professora em Natal (RN). A mesma Marília que vilipendiou a memória de uma mulher assassinada, a vereadora Marielle do Santos.

Sim, contenho-me e engulo pelos dedos o que ela mereceria ouvir, porque a pessoa ofendida, a professora Débora Araújo Seabra de Moura vale mil vezes essa mulherzinha cheia de preconceito e ódio, que só um emporcalhado Judiciário pode manter numa função onde ela decide o que deve acontecer com a vida de seres humanos.

Não é preciso difamá-la, ela o faz com suas próprias palavras.

Marília, ansiosa por exibir sua menos que mediocridade intelectual, postou no Facebook que ouviu no rádio que Débora, portadora da síndrome, trabalhava como professora.

“Aí me perguntei: o que será que essa professora ensina a quem??? Esperem um momento que eu fui ali me matar e já volto, tá?”.

Débora respondeu numa carta modesta e comedida, mas sábia. Antes de descrever como desempenha as suas funções na escola, esclarece que não quer “bater boca” com Marília. Só por isso demonstra a sua superioridade mental diante da paquidérmica insensibilidade humana da desembargadora “normal”.

Prefiro ouvir o que diz Débora e não bato boca, também. Marília é insignificante, embora parte de um tumor asqueroso que toma conta do Brasil de hoje e ameaça-nos com sua metástase.

Conto apenas um pouco da história que ela construiu, com o incentivos dos pais – um psiquiatra e uma advogada – do padrinho, Henfil, dos irmãos e do seu próprio desejo de servir para trazer algo de bom ao mundo. O que ela fez com esforço, até se formar, trabalhar, ser querida e até mesmo fazer um livro de fábulas inclusivas, prefaciado por ninguém menos que João Ubaldo Ribeiro.

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Glórias que Marília nunca terá. Seu padrão de expressão só diz uma coisa sábia: “Vou ali me matar e já volto”.

Não faça isso, Doutora.

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