“Vamos furar a bolha das grandes redes de TV”: o cineasta Max Alvim fala de seu filme sobre a caravana de Lula no Nordeste

por Marcelo Godoy, DCM
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DCM: Como surgiu a ideia de fazer este documentário?

Max Alvim: Este documentário começou com um convite da TVT para eu dirigir um filme com o ex-presidente Lula acompanhando a caravana dele pelo Nordeste brasileiro. Como todos sabemos, as caravanas do Lula são uma iniciativa corajosa e cidadã do ex-presidente nesse momento tão complexo e perigoso que estamos vivendo no Brasil. Quando fui convidado, de imediato, percebi que ali tínhamos uma oportunidade histórica de mostrar o que aconteceu com o Brasil antes e depois do golpe. A tarefa era grande. Então reunimos alguns parceiros e montamos o núcleo principal de produtores: a TVT, o Instituto Alvorada Brasil e o Canal i Produções. Com esse grupo conseguimos viabilizar recursos iniciais para sustentar os 36 dias de filmagens do documentário no Nordeste.

O que você viu na caravana que mais te impressionou?

Eu vi muita coisa incrível acompanhando o ex-presidente. É muito especial, é rigorosamente extraordinário você acompanhar um líder da envergadura do Lula andando por um país. Só isso já seria impressionante.

Mas eu vou destacar duas coisas que me emocionaram muito: uma é a relação do Lula com o povo. É revelador você ver este homem andando no meio de milhares de pessoas com uma energia, com um amor que circula em volta dele, que eu jamais vi em outro líder. O Lula tem a capacidade de no meio de uma multidão enxergar a pessoa mais simples, a pessoa mais carente, a pessoa que está em maior sofrimento, e no meio daquela confusão que é uma multidão em volta dele, ele consegue enxergar esta pessoa, chegar nela e fazer um gracejo, um agrado, dar a mão… isto é muito tocante, muito impressionante, e ele faz isto de forma espontânea, genuína.

A outra coisa que me emocionou muito nas 58 cidades que percorremos, nas dezenas de atos públicos pela democracia com milhares de pessoas, com todo tipo de gente, foi perceber que a maior parte das pessoas vai ao encontro do Lula exclusivamente para chegar perto dele e agradecer. É muito tocante ver isso, ver um ser humano que tem como principal objetivo agradecer aquele que foi o único político que de fato olhou para a sua vida e de sua família, o único político que produziu uma transformação pra melhor em sua vida. Isto é muito tocante, você fica realmente emocionado.

Você escolheu alguns personagens para contar esta história, como você os encontrou?

Diferente de outros filmes que foram feitos com o Lula, nosso objetivo não era ficar olhando para o Lula, fazer uma espécie de making of dos bastidores da caravana. A ideia era fazer um filme através do Lula, que revelasse o que ele observa, qual país ele observa e que outros políticos não observam.
Nestes 20 dias de caravana acompanhamos o ex-presidente procurando ser sensível a esse olhar e localizar personagens, pessoas comuns, brasileiros e brasileiras que poderiam dar um panorama do que é o Brasil de hoje e de antes do PT no poder. Foi assim, enquanto acompanhávamos o ex-presidente, que pudemos identificar nossos personagens e, após o retorno de Lula para São Paulo, retomamos as filmagens mergulhando na vida de cada um deles.

Quando se pensa no Brasil do governo do PT imediatamente lembramos do Bolsa Família. Entre os personagens do filme vocês identificaram beneficiários desse programa?

Sim, temos personagens beneficiários do Bolsa Família, assim como de outras tantas políticas públicas do Governo da era do PT. O Bolsa Família é uma das políticas públicas do PT implantados no governo Lula e Dilma com maior impacto social e econômico que você possa imaginar. É má fé ou desinformação falar que é “bolsa miséria” ou que é um recurso que o PT arrumou para comprar o povo. Tem gente que fala até que essa política inventa preguiçosos. É duro ouvir isso! Quando você vai lá e encontra este povo você percebe o absurdo que é dizer algo assim sobre o Bolsa Família.

Eu recomendo que antes de fazer uma crítica a este projeto, se vá conhecer quem é beneficiado por ele e quais impactos são causados na vida desses brasileiros e de suas comunidades. Eu conheci mulheres e famílias que se não fosse o Bolsa Família estariam em estado de miséria absoluta e, por estarem em estado de miséria absoluta, estariam ou na criminalidade ou já teriam morrido. O Bolsa Família é um programa muito importante no Brasil, foi através dele que tiramos milhões de pessoas da miséria e, concomitantemente, aquecemos a economia e viabilizamos o desenvolvimento de regiões antes esquecidas pelo Estado e pela iniciativa privada. 

Com tanta dificuldade na vida dessas pessoas no Nordeste e em tantas outras regiões do Brasil pode-se dizer que essa gente só segue viva porque não desiste de viver?

Este é um aspecto muito forte do brasileiro: resistir. O que a gente não pode é se esconder atrás deste aspecto, de que o brasileiro vence tudo e de que nunca desiste. Acima de tudo, precisamos continuar enfrentando isto de forma concreta através da política, construindo políticas públicas favorecedoras de maior justiça social. Não dá para transferir unicamente para o cidadão a responsabilidade sobre a vida dele. Esta ideia neoliberal que cabe exclusivamente a cada um de nós cuidar de nossas vidas e que o Estado não tem nada a ver com isso, é uma ideia muito cruel, muito selvagem.

Sim, o Estado tem tudo ver com nossas vidas e nós temos muito a ver com a vida dos outros, a gente tem que se preocupar mais uns com os outros e o Estado tem compromisso e responsabilidade constitucional com cada um de nós. Trata-se da gente cobrar mais do Estado e avançar garantindo nossos direitos como cidadãos. Não somos escravos da iniciativa privada! Isso tem de ficar claro. Neste sentido, foi muito impressionante fazer esta viagem com o ex-presidente Lula porque ficou visível como o PT avançou nos seus anos no governo federal na construção de políticas públicas comprometidas com a classe trabalhadora e com os mais desfavorecidos. Portanto, por um lado sim, nossa gente seguiu viva porque não desistiu, resistiu, se organizou e lutou pelos seus direitos, mas por outro, também avançamos porque ocupamos o Estado com gente comprometida com todos os brasileiros, não só com uma pequena parcela de privilegiados.

Por que este documentário se chama “O Povo Pode”?

A ideia do nome “O Povo Pode” nasceu de um discurso do Lula. Ele é um cara muito intuitivo e de repente no meio da fala soltou uma frase: “O Lula é uma ideia, a ideia de que o povo pode!” Ou seja, ele representa uma ideia, não se trata de eleger o Lula ou fulano ou beltrano. Não se trata de personalizar um salvador da pátria. Se trata de materializar ideias e a ideia que o Lula preconiza, que ele encarna, é esta ideia de reconhecer o poder e a potência do povo, que é o sentido mais amplo, mais importante, mais fundamental da democracia.

Quando pensamos o nome do filme identificamos nessa fala do Lula um ótimo resumo do que pretendíamos: afirmar uma outra sociedade, uma sociedade na qual, de fato, o povo possa.

Em qual fase o filme está nesse momento? Quando ele será lançado?

Estamos terminando o roteiro para iniciarmos a montagem final do filme. Nos próximos dias entraremos na edição. Mas para isso dar certo, precisamos de recursos financeiros. Tenho brincado que gastamos todas nossas moedinhas nas filmagens. Esse filme para sair precisa da ajuda do povo brasileiro. É necessário que cada cidadã ou cidadão tomem para si a responsabilidade de contar a real história do Brasil de hoje. Não basta só criticar no Facebook. Não dá pra achar que os grandes empresários ou empresas irão financiar um filme como esse. Para termos uma comunicação independente teremos de ajudar.

É a única forma de furar a bolha das grandes redes de televisão e dos jornalões que vendem o país que só lhes interessa. Pra isso, estamos fazendo uma vaquinha virtual pra arrecadar dinheiro e terminar o filme. Temos urgência. Queremos lançar “O Povo Pode” até maio, antes da Lei Eleitoral. Com o Brasil como está vão vir com tudo pra cima da gente. Por isso, contamos com a ajuda de cada leitor do DCM doando o que puder. E, também, pedimos que divulguem esse projeto nas suas redes sociais. Para doar, basta clicar nesse linkVamos fazer esse filme juntos e distribuí-lo gratuitamente, mas só vamos conseguir se nos empenharmos de fato.

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